Os mercados globais iniciaram na segunda-feira, 23, em queda para commodities importantes, inclusive aquelas ligadas diretamente ao agro.
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Desde o início da manhã, a soja e o milho registraram-se recuados, acompanhando o movimento mais amplo de surto momentâneo na guerra no Oriente Médio. No caso da oleaginosa, por volta das 11h, todos os contratos operaram em baixa, entre 0,15% e 0,37%. Já no milho, os recuos oscilaram na faixa de 0,8% e 0,9%.
No setor de energia, o petróleo também caiu de forma significativa, com o barril do Brent voltando a ser negociado abaixo de US$ 100, algo que não ocorreu desde o último dia 12 de março. A queda no petróleo foi mais acentuada ao longo da manhã, chegando a cerca de 9%, após uma breve alta inicial. O movimento interrompeu uma sequência de aumentos de preços sustentados pelo clima de concorrência na oferta global, especialmente pelo fechamento do Estreito de Ormuz, que é uma rota estratégica para o escoamento de energia. Durante a escalada do conflito no Oriente Médio, o barril alcançou picos recentes próximos de US$ 119.
5 dias de trégua
O gatilho para o movimento observado nos mercados foi uma declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que anunciou uma trégua de cinco dias na guerra com o Irã. Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que houve “conversas muito boas e produtivas” no fim da semana e que determinou o adiamento de qualquer ataque à infraestrutura energética iraniana.
Segundo o site Axios, essas conversas ocorreram de forma indireta, com mediação de representantes da Turquia, Egito e Paquistão, envolvendo o enviado da Casa Branca, Steve Witkoff, e o chanceler iraniano, Abbas Araghchi.
Essa sinalização de pausa no conflito interfere imediatamente no prêmio de risco embutido nos preços, especialmente no petróleo, ou que acabou se transmitindo também para outras commodities, incluindo as agrícolas.
Apesar dos acontecimentos nos mercados, as autoridades iranianas negaram qualquer diálogo com Washington. O Ministério das Relações Exteriores do país afirmou que não há conversas em andamento e que a declaração de Trump teria como objetivo reduzir os preços da energia e ganhar tempo. Veículos de mídia iranianos, como as agências Mehr e Fars, também relataram que não houve contato, nem direto, nem por intermediários. Segundo essas fontes, o recuo americano teria ocorrido após ameaças de retaliação por parte de Teerã, incluindo possíveis ataques a instalações energéticas na região do Golfo e em Israel.
Até o momento, não houve resposta imediata da Casa Branca em relação às contestações iranianas.
Para o agronegócio global, que desde o início da guerra, acompanha uma escalada mundial no preço dos fertilizantes, o cenário ainda é de incerteza. “A insegurança permanece inalterada”, aponta o Grupo Markestrat.
Fonte: https://agro.estadao.com.br/economia/tregua-no-oriente-medio-leva-alivio-aos-mercados-mas-agro-ainda-ve-cenario-incerto